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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

"Ostentação não é poder", dispara Kannário; confira entrevista.

                    Kannário participou do programa Universo Axé, com seu amigo Alex lopes. Foto: Letícia Coimbra/Aratu Online
 O cantor Igor Kannário esteve hoje na sede do grupo Aratu, onde participou do programa Universo Axé, com Alex Lopes, e concedeu uma entrevista à equipe do Aratu Online. No bate-papo, o cantor falou sobre sua fase atual, a de mais sucesso de sua carreira, e  também sobre a onda da Ostentação, além de como anda o coração.
Confira a entrevista completa:
Qual o seu sentimento depois de tanto tempo sendo ignorado por alguns meios? Agora todo os veículos querem a sua participação, te convidam. Como você analisa isso?
De superação, de alegria. tava tudo escrito. O ditado é certo, os humilhados sempre terminam exaltados, a Justiça divina não é feita pelos humanos. então a gente não tem que se preocupar com essas paradas mais. É se preocupar em sempre acreditar que Deus existe e ele é o causador das coisas impossíveis. Então tem que pegar a visão e repeitar mais o Pai.
Fale um pouco sobre sua crença. Você tem alguma religião?
Eu acredito em tudo. Eu digo que sou aquele cara que eu tenho fé. Não gosto de ser vinculado a uma religião só até por que a fé não é uma religião só. A fé vem de dentro de você. sacou? Então existe a Macumba, existe Deus, existe a bruxaria, existe Espiritismo, existe o bagulho todo, minha irmã. Isso aí é fé. Vai de você acreditando. E fazer o bem! Porque é daí que vêm as bençãos, pelos seu histórico de criação, pelo que você vem construindo por toda a sua vida, né? É aquela onda, faça por onde, que Ele vai te ajudar. É fácil.
Uma coisa que sempre chama a atenção são os seus bailarinos. Você vem com uma outra proposta dentro do pagode, uma nova forma de se vestir, de dançar. Você não explora a sexualidade. Isso foi proposital?
Não. sou eu. É o que eu tenho pra oferecer. É uma parada minha. cada um tem sua essência, seu tempero, sua verdade. Eu não tenho figurinista, me visto do jeito que eu gosto, do jeito que eu quero. ‘Bora alí, ah ficou bom’, me visto. É onda de momento mesmo, natural. E o meu balé é um balé de rua, né? Alí é um balé de rua, meus amigos de infância que dançavam na rua. Eles na verdade eram dançarinos de largo. Aquela onde de ‘tamo junto’, ‘vamo’ botar pra quebrar pra poder tomar uma breja, ver as meninas… e aí eles começaram a se profissionalizar fazendo cursos de dança e aí formaram esse balé, o APCJ Dance, que são as iniciais deles mesmos.
Mas você tem alguma crítica ao pagode que explora a sexualidade?
Não. É música é cultura, é dança é cultura, tudo faz parte do movimento. Porque criticar? Tem que criticar as coisas que tão erradas. Não o que dá assunto, que vende, que é bom. Vou criticar porque? Se a sensualidade faz parte do mercado. O cara tem que ser charmoso, tem que ser sensual. Quem sabe dançar tem que dançar, meu irmão! Quem não sabe se balança, entendeu? Acho que não tem porque criticar.
Aproveitando a sua fala sobre criticar o que está errado. Na sua música você faz um tipo de alarde social para que as pessoas acordem e reajam. Você tem como objetivo real levantar essas pessoas para uma mudança social?
Eu só não tenho como mudar o mundo, entendeu? Porque eu não sou Deus. Sabe? Mas tudo o que o meu povo precisar se eu puder fazer por ele e ser porta-voz dele eu vou ser. Porque eu vim aqui pra isso. Eu não vim pra ser um artista comum, normal. Eu vim pra ser um artista representante de um povo sofrido e que precisa ter vez. Precisa ser olhado com mais carinho, com mais atenção, com mais delicadeza. Porque todo mundo gosta de se sentir amado, todo mundo gosta de ser lembrado. E o povo da favela hoje está sendo bastante lembrado até pra quem não é favela. Então a gente precisa colocar isso em prática não só nas palavras.
E você acredita que as pessoas estão acompanhando a sua mensagem?
A gente viu isso na segunda-feira do Carnaval. Que o povo pode ser educado. Só basta ter alguém disponível igual a mim, pra dar a cara pra bater, chegar lá e fazer alguma coisa por eles.
Tem uma música em que você critica a questão da Ostentação. Você tem críticas reais a esse ritmo?
Não é uma crítica, é mais uma análise. Porque a galera tá muito vinculando a ostentação ao poder, e ostentação não é poder, bicho! Ouro não poupa vida. Você vai morrer, meu irmão! Pega uma doença dessa aí, você vai gastar um milhão e o hospital não vai trazer você de volta. Entendeu? Então não é ouro que vai mostrar às crianças o que vai ser da vida amanhã. Não é carro importado. E aí? O favelado que não pode ter um carro importado vai fazer o que? Vai assaltar? Então essa parada de Ostentação tem que ser mais analisada e melhor passada. Como tão fazendo com a minha música, não é pra ser bem passada a mensagem? Então a gente tem que passar a mensagem bem passada pra gente poder ter êxito. Pra poder as pessoas entenderem o conteúdo real. Ostentação? Ostentação ao poder? Não. Poder é o de Deus! Ostentação é coisa supérflua. A gente morre e fica tudo aí. Ostentar o que? Ostentar o que não tem. Pra ver se faz mais feliz? Não existe. O menino do gueto, que não pode ter. Vai fazer o que? Vai assaltar o playboy pra ter um tênis foda? Não tem como, tem que viver sua realidade. É desostenta!
Depois desse ‘boom’ no Carnaval, você tem novos planos? Houve uma mudança que te trouxe novos objetivos?
Mudou tudo, poxa. Muda tudo muito radical. Radicalmente muda tudo. Você tem que se cuidar. Muda seu pessoal, muda o artístico, muda tudo. É uma parada que ó: ‘acorda, meu querido, a hora chegou!’. Então, sobre projetos é aquela coisa. Sou um alienígena, o tempo todo criando, o tempo todo fazendo as ideias, dirigindo, realizando as coisas. E a minha tendência é me misturar com todos esses artistas aí pra fazer a história, né? Pra quando ficar velhinho os netos, filhos falarem: ‘pô, meu pai fez história nessa parada’.
E tem alguém que você considera importante nessa fase atual, pra quem você gostaria de mandar um recado?
Não é uma pessoa só, é um conjunto. Eu agradeço infinitamente a todas as pessoas que me deram um conselho, me deram palavras, fizeram orações por mim. Até pessoas que eu não conheço. Eu agradeço a todos. Não é só mãe, filho, amigos, mulher não. Eu agradeço a todo mundo, a todas as pessoas que se sensibilizaram, que estavam comigo. Então não é uma pessoa só, é um conjunto. Obrigado a todo mundo. A todo esse exército aí que Deus colocou no meu caminho pra me proteger, cara. Então obrigado a todos!
Você tem uma música em que fala que vai afinar seu violão pra falar de amor. Pra quem você afina seu violão, Kannário?
Até o pior dos homens tem sentimento, tem coração. O sucesso quando chega, chega também aquela onda da cobiça. Mas a gente tem que estar centrado, porque temos que valorizar a mulher que esteve com a gente antes do sucesso, antes de dinheiro, antes de tudo isso aí. E sobre isso eu sou bem relacionado, sou bem esclarecido. O meu relacionamento é uma história já de muitos anos, não é uma coisa qualquer. E também é um lance que eu não posso prever o dia de amanhã. Hoje ela é a dona do meu coração, mas se amanhã Deus disser que não é também não vai ser, mas até então estou bem esclarecido. Meu coração já tem o seu lugar, já tem a sua dona, e até então tá assim.


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